terça-feira, 30 de abril de 2013

planos sobrepostos para sexta à noite

Então havia essa sala onde eu estava, e que era outra, e no outro canto da outra sala um espelho por onde me encarei. Era eu, o outro, sem sombra de dúvidas, vi, e me encarando ergui um arco, saquei a flecha, mirei-me a testa e disparei a seta. Atingi o alvo. Em cheio. Parti-me ao meio.
Estou inteiro, novamente.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

In your shoes

eu sou um vagabundo, como todo homem moderno; não tenho nada, como todo homem livre; duvido de tudo, como todo homem inteligente; ando desnorteado, como todo homem apaixonado, e estou à beira de um ataque de nervos. mas isso como todo mundo.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vênus em quadrantura com a lua natal, ou A esquina é o escritório do diabo

Putas, e por que não? Eu também sou uma, afinal. E hoje à noite vou me degradar um pouco, me vender barato, encarar as coisas como são.
Desci a rua.
A mesma rua, em outra hora, é outra rua.
Vênus brilha no céu. Mas aqui em baixo é outra coisa bem diferente.
Ela é magrela e pequena, tem coxas duras, tetas bicudas e grandes, lindas e pardas, eu sinto seus mamilos roxeados roçando no tecido por efeito do ácido que tomei há pouco e os meus própios embicam até doer, e o cheiro de perfume barato provoca em mim uma ereção. Eu pergunto quanto ela me cobraria para fazê-la gozar e ela não entende a pergunta, naturalmente. Seus cabelos são negros e cacheados, ela usa um jeans colado e botas de salto que quero que andem sobre mim, mas ela acha isso estranho também, então peço só que abra bem as pernas de frente para a parede espelhada e que comece a masturbar-se, isso ela entende, e faz com uma desatenção que me esquenta o sangue, é como se eu não estivesse ali. Sua buceta é sedosa e rósea, eu estou com o pau na mão, teso, mas ainda não decidi o que fazer com ele, talvez não faça nada, talvez só bata mais uma punheta hoje. Aí ela diz - Você não vai me chupar?
É claro que vou.
Mas não agora. A situação, não sei por quê... Já sei, o perfume: Seu cheiro me remeteu à outra vadia, essa bem mais melindrosa, por não cobrar, mas que me deixava louco. De certa vez, voltando à pé de uma festa, paramos em um banco e nos sentamos frente a frente e ela subiu sua saia comprida até o talo e me ofereceu a língua pontuda, que chupei como se fosse as mamas de minha mãe, de onde escorre a vida, e depois ergueu-se de súbito, caminhou até um beco próximo, eu nunca vou esquecer a maneira como me olhou, e entrou no beco, sumiu no breu. Corri atrás. Não precisei ir longe, ela estava de costas para as grades de uma casa me esperando com um dos seios à mostra, para fora da blusa, seios fartos que eu adorava lamber, mas em vez disso puxei de uma só vez sua calcinha e a guardei em meu bolso e me enfiei inteiro por baixo de sua saia, de volta ao útero, enfim. Eu a chupava e ela ofegava e se contorcia agarrada às grades, mas evitava gozar, e evitava que eu gozasse, também, achava aquilo uma traição ao namorado, vá entender... Fomos adiante com esse lenga.lenga, parando de esquina em esquina e se lambendo e se esfregando e só, até chegarmos em frente ao seu portão, entrarmos na varanda e ela sentar-se em uma grande cadeira de ferro em frente a um banco onde me encostei, sentado no chão,  pôr seus pezinhos no assento e abrir as pernas me mostrando o caminho. Eu implorei com olhos suplicantes que, e ela entendeu e abriu mais as pernas, apoiando-as nos braços da cadeira, e abriu com as mãos os lábios. Eu então puxei-a pela cintura até minha boca e recebi um beijo molhado de sua xota, um beijo de língua, quente e macio, um beijo de boa noite. E nos despedimos. Antes disse que prefere chupar outra mulher a ser chupada, e então me deu um beijo carinhoso, ou malicioso, não sei mais a diferença, e despediu-se, finalmente. Não aguentei sequer chegar em casa. Encostei em uma árvore e me masturbei com sua calcinha enfiada em minha boca e a mordida que me deu latejando em meu peito, perfeitamente estampada. A lua cheia alta no céu foi testemunha de meu gozo.
E cá estou novamente, sob o domínio da vulva, que diabos.
-Você não vai me chupar, bebê?
É claro que vou, mamacita.
E por que não?




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

na terra dos meninos dos olhos iguais

                                                                                                                 para meus amigos.





Prometeu, acorrentado. Ulisses, atado. Cristo, crucificado. Gozamos de nossa liberdade em uma prisão?

Ou talvez tenha sido sempre assim, não me lembro. Períodos sóbrios são raros apostos em minhas frases. Eu, sujeito sem oração, que rezo a muitos deuses, nunca de joelhos, e sempre com uma taça cheia em mãos.
No entanto hoje está sendo um dia incomum. Hoje meus pensamentos não são sereias nem harpias: Estou lúcido e minha lucidez me guia. Espero continuar assim até o fim desta... Canção?

O mundo dá voltas. Há ordem no caos.
O caos dá voltas na ordem do mundo. Há!
O fio da meada acha-se em meio ao estouro da boiada, nas entrelinhas das letras miúdas ao fim do contrato que se assina sem ler e boa sorte pra você, Iure, Tyego, Serguei, Liuba, Daniel, Juliana, Milla, Stvz, Caio, Gustavo, Lazlo, Lara, Amanda, Davi, Danton, Bonga, Cris, Beca, Rogério, Lapão, Clovix, Nina, Evera, Diego, Chico, Carlos, Micha, Henrique... Tantos nomes, os mesmos olhos. Nas escadarias da Matriz, como eu, queimando fumo, assistindo a vida passar: A terra dos meninos dos olhos iguais, lar dos paraísos artificiais. Vácuo, oásis, clareira e cais. Afinal, de onde não se volta é, justamente, para onde se vai, quer você queira ou não. 

Foi você quem me levou lá, baby, seguindo reto pela contramão, lembra? Nem eu. Estátuas de sal deixadas pra trás praguejando elaborados discursos eloquentes tentando nos roubar a atenção, querendo companhia, quem diria, e há pouco penduravam no pescoço os tesouros da terra, essa mesma que agora queima, é o que dá erguer uma civilização à beira de um vulcão. Castelos de areia só duram até a maré cheia.

A terra dos meninos dos olhos iguais, Tyara, não é, pois, um lugar, é um instante, que passa, mas volta.

As ondas vêm e vão.






quinta-feira, 4 de outubro de 2012

hic! home

Esteriliza-se. Todos sabem o que fazer com um problema irresolúvel. Não há um que não seja solúvel em álcool, ou inflamável, e de qualquer modo extinguível.
Entrou no bar decidido a se dar de mal, e deu-se.
Antes de ser expulso debateu-se, estrebuchou, vomitou, xingou, chorou e mordeu-se, o pobre diabo, um infeliz, um coitado sem sorte, e cheio de hematomas, agora. Eu estava lá, vou contar a história...

Um pouco por pena, mais por falta do que fazer, mesmo.

Era uma vez um bêbado. Ele andava certo por linhas tortas. Nunca quebrou um osso, nunca entrou em cana. Pelo cano várias vezes, via copo, sempre. Daquela vez que entrou no bar decidido a dar-se mal ele parecia até sóbrio, mas isso só durou três doses, doze minutos, algo assim - O tempo anda estranho aqui no fim do mundo, aqui às vezes é verão, e às vezes sim, mas hoje não. Hoje é  um desses dias, um dia como outro qualquer, que tal Domingo? Domingo, então. Entrou no bar decidido, pediu um shot, depois um tiro, depois um cuba libre, uma tequila, um conhaque, outro tiro, e agora sim, verão, enfim. O clima muda, depois de dois tecos e quatro lapadas, vai por mim.

Quem é você, meu caro bêbado?

- Hic! Uma prezepada, essa vida. Vivemos em estado de sítio, em plena capital do país. Sítio. Jaca, manga, cana, acerola... Sítio. Dormimos no toque de recolher, acordamos ao som de helicópteros, à tarde vêm as sirenes. Tudo muito normal, as filas, os baculejos, as câmeras, os blecautes, os suicídios, e qualquer coisa que não for isso é suspeito... Viva o estado de choque, o único de direito! Uma prezepada, uma comédia da qual não é permitido sorrir, tudo muito sério. Meu síndico taca bombas em mim, dia desses fui denunciar um estupro e quase sou preso, e há pouco quase me dou muito mal por não conseguir explicar que eu sou eu, então, você até pode ser feliz, só não pode sorrir. Já percebeu que toda vez que alguém sorri uma sirene toca?

E aí desandou a rir. E antes de ser expulso do bar debateu-se, estrebuchou, chorou e mordeu-se.

Hic!





quarta-feira, 29 de agosto de 2012

11.08 Mhz, Severino FM



Eu fico parado esperando, remoendo, até dar vontade, então levanto e venho até aqui, te dizer. Mas afinal quem é você senão o mote mesmo pelo qual me ergo e, sendo assim, por que ouvir o que se sabe, e de mim? 

Uma palavra que encontra uma voz é uma verdade, fale. E você me diz - Não, prefiro ouvir. 

Pois bem, somos favorecidos pela acústica aqui, ouça: Largue-me! Estou cansado de arrastar cadáveres, e você deveria estar cansado de morder o próprio rabo, circuito fechado, bzzt, frequência ruim. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Lonesome Madness

A loucura e a solidão são sócias.
Dia após dia
Hora após hora
Andam sempre lado a lado.
A veia cava e o nervo vago (Aqui enfim engalfinhados).
E se com ambas tenho flertado
Com apenas uma tenho dormido...

Até agora.

Faz sentido?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

tin.tin

Uma ressaca rascante me escancara e escarra minha cara no chão da sala de estar, em frente à tv, na hora do jornal. Uma boa hora pra morrer. Mas ainda não.
As notícias do mundo lá fora desfilam sobre mim com saltos altos de marfim em marcha lenta fúnebre.
A tarde esquenta. Eu suo em bicas que desaguam em diques onde alambiques destilam minha abstinência em gotas serenas da moléstia canina.
Minha sina.
My way.
E agora...
Com vocês...
Eu.
Em queda livre. Em carne, osso e demência.
Subindo a rua. Descendo a ladeira. Seguindo a sombra projetada à minha frente pelo sol às minhas costas tortas. Em alguns minutos lhe bato à porta, lhe peço àgua, lhe parto a cara e retorno à sala, pra saber de você pela minha tv.
Ao que parece, você ia muito bem, obrigado, até ontem, quando tua casa foi invadida e foste feito refém: Dois ou três hematomas. Parece que perdeu alguns dentes.

Que mundo cão.

Levanto. Arrumo a mala. Preparo um drink. Uma pro santo...
Sempre em frente.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

old blue eyes song

Diga,
O que faço comigo?
Ponho um saco na cabeça?
Uma corda no pescoço?
Eu já lavei a louça. Eu já roí meu osso.
Eu já subi e desci tantas vezes a W3 que, a certa altura (estava alto mesmo, admito),
Topei comigo.
Era noite, fazia frio, estava só, trazia um spray.
Reconheci-me, outro bandido,
E passei batido, não me cumprimentei.
Segui caminho, e em um muro, com minha letra, eu vi escrito:

MY WAY.

(Pois é. I did it.)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Hit me, you can´t hurt me.

O mais frágil dos homens. A mais bruta das bestas.
Quando vier, não tenha pena de mim. Não demonstre a mínima compaixão, nem medo, eu me enfiaria por uma brecha dessas e fatalmente te faria me desculpar, e eu preciso da sua ira, eu preciso ouvir cada uma das  palavras frias que você tem pra mim. Quero que as atire, uma a uma, contra meu peito. Eu preciso que você seja duro comigo, amigo, que me escancare os defeitos. Você pode fazer isso?
O aplauso desmedido é o adubo do suicídio, já dizia um velho sabido. Seja, pois, rude comigo. Quem sabe um dia também faça isso por ti.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

bright sunshine day

Quando Marte entrou em quadrantura com Vênus e a lua cheia surgiu no horizonte de... não importa, no ano da graça de, tanto faz, um dia comum de primavera, se o era, nesse dia eu morri. O resto é a história.
Minha vida curta e passageira deu-se conta de ser curta e, passageira, passou. Estou passado. No future to me. E ainda assim, cá estou. Isso dá-se por sempre haver quem me escute, de outra forma não seria e é isso que agora quero lhe contar: Você, arqueólogo do que não há, não deveria me escutar, porque gosto de falar e meu discurso é um monólogo obscuro, um mau agouro ao futuro, um canto absurdo, uma quimera. As novas eras e as velhas idéias não deveriam se encontrar. Fica a dica.
E agora calo. Quanto a você, pare de me dar ouvidos onde possa me pendurar, como brincos pesados demais, graves demais, que te impedem de erguer a cabeça e admirar um novo dia a cada dia, até o seu dia chegar, pois, quer você queira ou não, ele há de chegar.
Adeus, e até lá.

sábado, 28 de julho de 2012

curte só:

veja, aqui meu coração: dois atrios, dois ventriculos, sei lá quantos bpm´s por minuto... um coração normal, igual ao de qualquer um. o que o faz especial, ao menos para mim, é o fato de ser meu. um dia começou a pulsar, um dia vai parar. enquanto isso eu vivo, e da única maneira que sei - sendo eu. sacô? e até que tenho me saído bem, haja visto que ainda estou aqui.
eu não quero demarcar território no espaço. no tempo.
eu vou me foder. todos vamos. incondicionalmente.
é esta nossa sina, alguma novidade?
mas já não me preocupo mais com isso.
nem você.
não é mesmo?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

37

Que era filho do vento e tinha vindo pela minha mãe; Que "Quem sobe batendo desce apanhando"; Que era muito antigo, mas eu sou mais; Que somo húmus e, portanto, humildade; Que era o capitão, mas eu sou o general e que não havia nada que ele me dissesse que eu já não saiba; Que eu considerasse quantos morreram para que eu estivesse aqui... e todas essas coisas me dizia assim, aos borbotões e de supetão. Eu não estava preparado para isso. Eu não conseguia entender de onde ele veio, a rua estava vazia. Chegou, apresentou-se como um anjo que não lembro mais o nome e ficou muito impressionado quando, de choça, respondi-lhe que sou Azazel. Seguia meu caminho, e ele comigo, e adiante demos em um bar lotado com uma mesa e duas cadeiras nos esperando ao que pensei e por que não, o que é um peido pra quem já está cagado, né? Sentamos. Pedi uma cerveja, ele fez-me observar a impressão que causávamos nas mesas em torno e continuou com sua ladainha descontrolada... Que isso, que aquilo, que éramos espíritos e não humanos e que ele estava esperando por mim para enfim encarnar, mas que isso não me ocorreria, e, então, quando disse-lhe que precisava ir, apesar de me garantir que não precisava de grana em absoluto, pediu-me para pagar-lhe outra, o que fiz. Ele agradeceu, mas não isso, e me disse que nunca mais nos veríamos. Eis o motivo deste texto.
Catei um de seus cigarros e segui meu caminho. Andei muito, quando amanheceu o dia alcancei uma garotinha no colo do pai me encarando, na contramão vinha um ancião. Quando nos cruzamos acenei para a garotinha e foi isso: O passado ficou para trás. O futuro me sorriu.
Era meu aniversário.

terça-feira, 3 de julho de 2012

think i´m just happy (ou não)

você tem um jeito só seu de me menosprezar
(luv ya)
as coisas são assim e não adianta insistir
(let it bleed)
haja o que houver, esteja onde estiver
(drop dead)
os bons às vezes vencem no final
(keep calm)
nem hoje nem amanhã, quem sabe ano que vem.
- Amém.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quem avisa amigo é

Você aí tentando me fazer de bobo
E eu cá só dando uma de doido
Mas doidos surtam
E quando surto eu mordo
Vá, desde já, tomar uma antirrábica

domingo, 10 de junho de 2012

tell me about

Ele tem um cofre sob a cama onde guarda seus segredos, o segredo do cofre é abracadabra, dentro dele está o buraco da fechadura, encoste seu olho lá e veja: não há nada. Então, para que a pressa, para que se preocupar?
Mistério. Mágica. Matemática. Só palaras, deixe estar. Há um sol no céu e isso é tudo que importa aqui, agora, e, você bem sabe amigo, não há outra hora, não existe outro lugar.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Elvis has left the biulding

Este é o melhor dos mundos. É realmente uma pena estarmos todos irremediavelmente mortos. Dito isto, viva! Vamos! Há contas por pagar. Acorde! Adiante. A fila anda, você é o próximo.

Ante a boca banguela vermelha aberta do caixa da lotérica Robsbadson amarelou. Ficou pra trás, cedeu a vez,  sentou num canto, perdeu a hora, ganhou o dia, riscou um fósforo, sacou o jogo, olhou o fogo, deixou queimar, ouviu o som em sua cabeça e lembrou que ainda sabe dançar. Robsbadson is out. Aonde a fila vai não interessa mais. Alright, alright alright! If Elvis has left the biulding we all are out of our minds.

Turn on. Tune in. Drop out.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Tio Almir tá vivo !!!!

video

E como.

Ensaio do ChapaMamba, no meio de um puta churrasco irado do caralho na casa de Elias Maluco, o batera. Tua mãe me contou altas histórias cabulosas de tua infância, Bruno, mas tu me encharcou de cerva e simpatia e não lembro de mais nada além do diague que tu deu em Luiz Melodia e pelo qual ainda pagarás caro, se há justiça nesse mundo e meu catimbó funcionar.

Ave, Rio.

domingo, 4 de março de 2012

pop song

Bastardo por parte de pai, desnaturado por parte de mãe. Quando jogar as cinzas de minha mãe sobre o túmulo de meu pai será um lindo dia de sol, ou um triste dia de chuva, tô pouco me fudendo, e será com todo respeito, respeito por mim, que baixarei as calças e mijarei sobre teu túmulo, papi, a urina escorrendo pelos cantos da laje lustrosa de bacana, porque ele deve ter uma laje de bacana, é assim em meus sonhos, mas se não for tudo bem também... Vocês terão ainda muito orgulho de mim, papai, mamãe... A urina escorrendo pela laje bacana, lavando as cinzas, lavrando esse amor doente que deu nessa catástrofe tranquila que sou eu, e ninguém ali além de mim mesmo capaz de responder a pergunta premiada:
- E agora, quem é Júnior, mamãe? Quem é Severino Ramos de Araujo Santos, papai?
Talvez demore, talvez não. Um dia, um mês, um ano, vários deles, não importa, o tempo está ao meu lado, espero sem pressa esse dia chegar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Jesus Don’t Give Tax Breaks to the Rich

feliz natal

contracaô #2

Eu vou lhes dizer no que acredito. Eu acredito no caos, no acaso e na antimatéria. É nisso que acredito. Por isso me fio e nisso me gio. Sendo assim desconfio de quem não crê em nada. Eu creio no nada, também, aliás, na falta de algo mais consistente isso me basta. Gnomos, ninfas, fadas, todo tipo de lorota, causo, piada... Eu acredito em você também, inclusive. Minha fé não tem limites. Já minha paciência, tem.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

hey, ho ho ho: let´s go.

pele de latex, ossos duros de roer, testa de ferro, tv eyes, sangue frio, sorriso coolgate, 1 projeto cultural em cada bolso do terno armani, lá vem ele, crack para os pobres, campanhas anti-crack para os ricos, tiro pra todo lado, um câncer aqui e outro ali, duas guerras futuras já agendadas no notebook. transpirando enxofre mas cheirando à boas intenções, ele entra, senta e pede uma criança, africana, ou asiática, o sexo independe, coloca o infante no colo, despe-lhe os farrapos, arreganha-lhe as pálpebras e lambe-lhe os olhos perplexos, então cutuca seu cu, destampa seu crânio e com um canudinho listrado suga-lhe a imaginação.
- o que tu quer de natal ?
- um playstation.
- o que tu vai ser quando crescer?
- médico, ou advogado.
Ok.
O próximo.

sábado, 26 de novembro de 2011

knock knock

I don't want to be destroyed
I just want to lay on this block of ice
I am one you are two we are three
What for? my connection is your connection,
The sun is shining I see your face
Turning it over I see the clover
The things that I love dear are taking shap

sábado, 19 de novembro de 2011

BatMac



Vascaindies flamengantes, batman, ora se não é o... Ele mesmo, robin. Mas ele não estava em... Pois parece que voltou, não é mesmo, garotinho pródigo?
No outro dia:
Pow. Soc. Vrum.

Fim.

No mais é muita conversa pra pouca ação.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Apelação

Prezados Senhores da Comissão de Avaliação e Seleção do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural,

Eu sei que este trata-se de um projeto humilde e modesto, desprovido da espetaculosidade e pompa tão ao gosto da atual diretriz cultural do país, no entanto venho por meio desta, ainda assim, e em uma atitude desesperada, pedir-lhes que reconsiderem o julgamento prévio que o privou dos míseros vinte e dois pontos necessários à sua aprovação. Senão vejamos: O projeto em questão trata-se da participação de um grupo que atua há dez anos na área de publicações independentes, com dezenas de publicações na praça, muitas delas premiadas e reconhecidamente inovadoras - o que qualquer pesquisa por mais superficial que seja pode facilmente constatar - em uma feira internacional de sua respectiva àrea que existe há mais de dez anos, e cujos organizadores realizam conosco publicações conjuntas, a última delas inclusive inédita no Brasil justamente pela carência de intercâmbio. Este tipo de evento para o qual fomos tão cortesmente convidados é, economicamente e tecnicamente, vital para nossa sobrevivência quanto grupo independente, haja visto que as lojas não nos querem senão para mascar e cuspir fora depois de nos venderem a seus clientes pelo triplo do preço, e as grandes editoras não as queremos nós.
Sendo assim, rogo para que os senhores abram seus olhos e afinem seus ouvidos com este tempo, que certamente não pertence a quem grita mais alto, mas a quem sabe ouvir o som da grama crescer.

Att,

Sirva-se Records, há dez anos falindo sem morrer.

Ps. Ficou bom, titio??

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

U O E O Z




Chamai-me Ismael, no buraco havia um hobbit, no princípio era o verbo. ET fone home.



Enquanto isso, no caminho de Swan, Proust bebe o chá das cinco servido pelo chapeleiro da Alice de Carroll, a Lucy de Lennon, ideal platônico da de Johansen.


Uma epifania por gole, o caminho de Swan virou uma estrada de tijolos amarelos...

No meio do caminho de Swan havia uma pedra. Havia uma pedra no meio do, topei. Caí. Ergui-me e retomo de onde parei: Era uma vez...


Agora são três. Glub, glub e glub. On the road no meio do caminho de tijolos amarelos com Swan, Tarzã, Taiwan, Shazan e Conan, o bárbaro, por que não?


É preciso sempre ter na manga um ás, quando se está em Oz. E eu estou quase lá.


Pela estrada de Swan afora eu vou bem sozinha levar esses doces quando, de repente, subrepticiamente, ei, ei, Chapeuzinho... Era o Chapeleiro, me dizendo que estava marcando touca em uma boca de lobo, louco que estou.


Rédeas curtas, se o cavalo é de Tróia, recomendou.


Pisei ainda mais fundo.


- Silver, Aiou!


... Just the gold, brother, just the gold. Nada menos.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

24:36

Regozijai-vos. Ninguém sabe o dia e a hora, não é mesmo, Mateus? Chega de perder tempo, chega de nhenhenhem, cheguem mais, ouçam: Chega! Vinteum do doze de doismiledoze é o caralho. Foda-se Sibyl, foda-se Merlin, foda-se Nostradamus e os Maias. O fim do mundo não será porque já foi:


- Ei, brother, quando me avisaram disso aqui a ligação tava meio ruim, então, você pode me dizer o que exatamente é isso?


- É um teste para um emprego


- E pra que diabos todo mundo na mesma sala? Ei, ei, escutem só, eu acho que vão atirar uma faca e trancar a porta e o emprego é de quem sobrar e que deus os ajude porque sou bom com facas, eh! Mas, sério, acho que é uma prova mesmo, mas, por que tenho de assinar esse documento liberando essa informação sob sigilo? Isso não é tudo muito suspeito?


- É um teste para um emprego, comecem a riscar um monte de tracinhos até eu dizer Ok, aí comecem um risco e depois mais tracinhos até eu ficar satisfeita.. Comecem.


IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII – IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII – IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII _


- Parem. Agora contem os traços e anotem nos riscos, depois respondam esse questionário. Amanhã ligamos pra você. Ou não


E isso não é a morte?

Estamos todos mortos, há muito tempo, e onde não há o homem a natureza é estéril, já dizia alguém que sabe das coisas...




Vácuo, portanto. Lázaros. Não há dia nem hora porque o tempo parou, mas, rejubilai-vos, ainda há, e paira e lateja, latente em nós, músculo divino, força de mil vulcões dormentes, voz que clama no deserto da alma humana domesticada por Moloch. Moloch, desde o berço nos latindo que é too late... Mas não é. Não é.

Eu sou.

Regenerai-vos