Mostrando postagens com marcador lou reed. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lou reed. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

é tudo a mesma merda mesmo, baby



e eu lá queria ter na vida simplesmente uma casinha branca com varanda? os incomodados mudaram-se todos pra lá, coitados. plantam ventos, esses tontos.
eu vou caminhar para o centro, e quando estiver lá, haha, explodir com a força de um sol cansado de queimar, e o mais longe que tu for ainda não será o suficiente:
"está na hora da colheita", hein, lula? espero que sim.
protejam suas cabeças.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Going straight to the devil


Lá vem descendo duas vezes mais rápido que subiu, minha gloriosa cuspida. Eu não saio de baixo, eu não fecho os olhos, lá vem ela, espero que me cegue, animal estúpido.

Dois mais dois são quatro, a terra é azul, mais vale um na mão, quem gosta de homem é viado, mulher gosta é de dinheiro e o dinheiro não gosta de ninguém, mas gosta de ser gastado. Se você olha para o abismo o abismo olha para você, tudo que sobe desce, a grama do vizinho é mais verde. Pimenta no cu dos outros é refresco.

Estou eufórico demais. Não tenho paciência de esperar o elevador. Vou descendo correndo pelas escadas para chegar lá embaixo antes dela, vai ser uma cuspida gloriosa, todo aquele papel descendo planando nos olhos dos curiosos, quando o primeiro descobrir do que se trata em pouco tempo a rua vai virar um picadeiro e eu quero assistir ao show de camarote. São quinze andares esse prédio. São cinco mil em notas de dez. São dois milhões de habitantes, a maioria pobre e perambulando por aqui, pelo centro da cidade. É fim de expediente. Façam as contas.

- Em um ato terrorista canastrão Olavo Bismark hoje quase perde a vida, Olívia.
- É verdade, Doris, Olavo Bismark, conhecido do público por liderar a invasão da reitoria e por sucessivas greves de fome por motivos vários, hoje, após jogar dinheiro do alto de um prédio no centro da cidade, tropeçou nas próprias pernas descendo uma escadaria e sofreu fraturas múltiplas. Este gato curioso está fora de perigo por hora, mas o local do crime encontra-se sob a guarda da polícia local. Houve tumulto e o trânsito está parado em duas avenidas...

De minha cama de hospital, imóvel, eu vejo as imagens na TV. Os bombeiros me retirando de maca, meu socorro dificultado pelo tumulto incipiente. Eu não olho para cima mas sei que ela ainda está lá parada sobre a minha cabeça, mirando bem no meu olho, duas vezes mais forte, minha gloriosa cuspida para o alto. Temeroso, olho de esguelha, ploft. E aí penso naqueles monges construíndo suas mandalas de arroz no Tibet e rezando por mim... Tantos anos na escola. Animal estúpido.

domingo, 23 de setembro de 2007

a contracapa da banana


Maio, 22: “Meu bem, você deve acreditar em minhas mentiras, assim elas serão nossas verdades.” Seriam, se não fosse esse nosso segredo – Respondeu a mulher, olhando-se no espelho, retocando a maquiagem, ligeiramente irritada, com um início de gastrite, duas cáries no seio superior do terceiro pré-molar, voz macia, cheirando Channel nº 666. Ele permaneceu impassível, de pé, diante da porta aberta, rua às costas, cabeça baixa, mão no bolso, cabelo assanhado, camisa amassada, suor escorrendo, furúnculo na bunda.