Respeitável público! Com vocês, Zunira, a mulher vampira; Monga, a mulher gorila e Amélia, a mulher de verdade barbada. As 7 maravilhas de Marte, notícias do átomo, o livro que se lê, a roda da fortuna. A incrível estória da menina que entrou pelo buraco do coelho e saiu pelo espelho do quarto. As botas do gato e o beijo do sapo.Os segredos alquímicos de Melquíades e as barbas de molho do profeta Jeremias, a baleia de Ahab,o narguilé do saci turco,a sala de espelhos, o monumento em braile, o kinderovo da serpente da cabeça da Medusa planificada e mais, muito mais. Entrem, entrem, já vai começar o espetáculo. Esquindum esquindô, dente de cobra, asa de morcego, pé de pato mangalô três vezes seis dezoito por cento de umidade relativa do ar, pista livre, céu de brigadeiro, nuvens de marshmelow, senhoras e senhores, renomeiem o arquivo como .rar e... Abracadabra:segunda-feira, 3 de março de 2008
O Maior Show da Terra
Respeitável público! Com vocês, Zunira, a mulher vampira; Monga, a mulher gorila e Amélia, a mulher de verdade barbada. As 7 maravilhas de Marte, notícias do átomo, o livro que se lê, a roda da fortuna. A incrível estória da menina que entrou pelo buraco do coelho e saiu pelo espelho do quarto. As botas do gato e o beijo do sapo.Os segredos alquímicos de Melquíades e as barbas de molho do profeta Jeremias, a baleia de Ahab,o narguilé do saci turco,a sala de espelhos, o monumento em braile, o kinderovo da serpente da cabeça da Medusa planificada e mais, muito mais. Entrem, entrem, já vai começar o espetáculo. Esquindum esquindô, dente de cobra, asa de morcego, pé de pato mangalô três vezes seis dezoito por cento de umidade relativa do ar, pista livre, céu de brigadeiro, nuvens de marshmelow, senhoras e senhores, renomeiem o arquivo como .rar e... Abracadabra:sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
hello, crazy people

Os saudosos são estátuas de sal que enfeitam o jardim do além. Lá o futuro nos acena, vem em nossa direção. Hoje vira antigamente quando nos estende a mão.
- muito prazer, sou o seu objetivo.
E feitas as apresentações, adeus. E adiante eu sigo.
Venham comigo, amigos.
Em frente toda vida. Em frente toda a vida segue, sempre.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
"cada vez gosto mais de menos gente"

Viva Santa Ignorância, padroeira dos perdidos, bússola dos que não sabem aonde querem ir mas vão assim mesmo para ter do que reclamar depois: O milagre de roer a própria nuca.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
XVIII

Ela teve um sonho estranho em meio à noite. Sonhou que acordava e a noite lá fora, diáfana, sorria sua lua crescente em brancos dentes de luz. Ela então ergueu-se e flutuou até o banheiro e lá olhando-se no espelho entendeu que a lua é um buraco por onde passam os reflexos do que há do outro lado, imagens de estranhos lugares dourados por uma estrela só: Ela noite, viu-se dia. E não acreditando no que via, tocou-se, sentiu a pele fria, e novamente acordou, mas do outro lado dessa porta. E novamente dentro do banheiro, diante do espelho. Percebeu a ironia. Quando sorriu já estava morta.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Os Caras da Banda

Os caras da banda são estranhos. Eles vêm descendo a ladeira pra subir a rua e eles não te olham, sequer te notam. Eles não estão nem aí pra o que tu pensa deles e eles vão continuar tocando o foda-se. Sentem seus rabos, fechem a boca e abram os olhos. Os caras da banda não têm muitos amigos e acham melhor assim, pois quando desafinam não há vaias. Eles cuspiram em papai e enterraram mamãe, eles não têm titio, eles não têm pistolão, eles não votam, eles não curtem mendigar, nem tapinhas nas costas, nem elogiar a decoração. Os caras da banda vão se dar mal, evidentemente. Mas eles preferem assim. E você, faça-lhes o favor de esquecê-los.
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
"Quando sorriu já estava morta"

Ele chama-se Severino, deve ter uns setenta e cinco quilos em um metro e oitenta e mais de trinta anos. A última vez que foi visto usava uma calça jeans e uma camiseta do Joy Division e bebia conhaque no Gate´s Pub, na 405 Sul. Severino é farmacêutico, está desempregado e sentia-se indisposto para com as propostas de trabalho escravocratas, quando não simplesmente ridículas, que recebeu até agora, ou ao menos até seu desaparecimento. Entrevistas de emprego, aliás, é um capítulo curioso na vida de Severino.
Ele lembra de sua primeira, quando sentou-se e a porta fechou por trás dele seu futuro patrão olhou-o e disparou: Não sei se você sabe, mas farmacêutico não trabalha.
Severino é uma pessoa razoável, ao menos quando está sóbrio, e ele estava, então, passadas as considerações iniciais, restou-lhe a pergunta: Quanto, então?
Daí em diante foi mais do mesmo, variações do mesmo tema. Às vezes com pitadas de auto ajuda ou frases de efeito, quando o pretenso chefe era mais ou menos boçal. Severino certamente não é o profissional brilhante e obstinado que um chefe tensiona, Severino parte fácil. Sacou? E fácil parte para a ignorância, não a fácil, a bruta, esta também, sempre de maneira desastrosa, mas o mais frequente é ele, quando lhe convém, em instantes, simplesmente perder o contato com a realidade. Severino toca o foda-se, como ele gostava de dizer, e de uma maneira que lhe é bem peculiar. Aonde vai ele nessas horas é o que tentamos descobrir, então, se você tem uma informação que possa nos levar ao paradeiro de Severino, por favor deixe seu recado após o bip.
Bip. Olá, eu me chamo Biu e acho que sei de quem vocês estão a falar, este tal Zvirino. Stava eu a beber meu conhaque quando me chega este gaijo, bêbdo pra qralho, com uma converza viada de que ia fazer a mágka do dizaparecimento. Bem, ele já stava para evaporar mesmo, percebes? Bah. Eu ligo novmente dpoish.
Bip. Oi. Sou eu de novo. Desculpa a demora, eu ando trabalhando muito, sem tempo a perder com picuinhas. Estou aqui porque aqui é mais sossegado, você saberia se conseguisse chegar aqui. Eu cheguei andando. Um ou outro psicotrópico, também, confesso, afinal sou farmacêutico. Mas não se preocupem, sou um profissional, vou poupá-los de explicações técnicas morosas. Estou aqui e estou bem ocupado, é tudo que vocês precisam saber. Críticas e preocupações com esta minha pessoa, em cash, conta 20011-9, ag. 2495-6.
Ele lembra de sua primeira, quando sentou-se e a porta fechou por trás dele seu futuro patrão olhou-o e disparou: Não sei se você sabe, mas farmacêutico não trabalha.
Severino é uma pessoa razoável, ao menos quando está sóbrio, e ele estava, então, passadas as considerações iniciais, restou-lhe a pergunta: Quanto, então?
Daí em diante foi mais do mesmo, variações do mesmo tema. Às vezes com pitadas de auto ajuda ou frases de efeito, quando o pretenso chefe era mais ou menos boçal. Severino certamente não é o profissional brilhante e obstinado que um chefe tensiona, Severino parte fácil. Sacou? E fácil parte para a ignorância, não a fácil, a bruta, esta também, sempre de maneira desastrosa, mas o mais frequente é ele, quando lhe convém, em instantes, simplesmente perder o contato com a realidade. Severino toca o foda-se, como ele gostava de dizer, e de uma maneira que lhe é bem peculiar. Aonde vai ele nessas horas é o que tentamos descobrir, então, se você tem uma informação que possa nos levar ao paradeiro de Severino, por favor deixe seu recado após o bip.
Bip. Olá, eu me chamo Biu e acho que sei de quem vocês estão a falar, este tal Zvirino. Stava eu a beber meu conhaque quando me chega este gaijo, bêbdo pra qralho, com uma converza viada de que ia fazer a mágka do dizaparecimento. Bem, ele já stava para evaporar mesmo, percebes? Bah. Eu ligo novmente dpoish.
Bip. Oi. Sou eu de novo. Desculpa a demora, eu ando trabalhando muito, sem tempo a perder com picuinhas. Estou aqui porque aqui é mais sossegado, você saberia se conseguisse chegar aqui. Eu cheguei andando. Um ou outro psicotrópico, também, confesso, afinal sou farmacêutico. Mas não se preocupem, sou um profissional, vou poupá-los de explicações técnicas morosas. Estou aqui e estou bem ocupado, é tudo que vocês precisam saber. Críticas e preocupações com esta minha pessoa, em cash, conta 20011-9, ag. 2495-6.
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os paralamas do sucesso,
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
todocarnavaltemseufim?

Intermináveis Sessions. E o que há por trás da próxima carreira eu não sei, mas vou descobrir. Intermináveis Sessions. Dias sem dormir. O santo forte, a carne fraca, o osso duro de roer roído até sumir. Corte fundo à faca cega - ei, baby, sopra aqui, please - e toca o barco: O que há por trás da próxima é a que vem a seguir.
(e fodam-se os loosersmanos)
(e fodam-se os loosersmanos)
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hoje é o primeiro dia do resto de sua vida,
rita lee
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
À minha ex chefe, que abria as pernas enquanto me dava ordens

E se as mesmas unhas vermelhas que te apontaram um rumo espremeram teu sumo, marcaram teu rosto, ajoelha, lambe e cheira, abana o rabo, rói todo esse osso, e findo o ato, acende a luz, abre os olhos, mede o gozo e sente o asco enquanto degusta a verdade derradeira de que, em se tratando de bucetas, meu caro, algumas não passam de buracos insossos.
Com carinho, Biu.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Serve Juquinhas?

idéias ocorrem por aí e quando você tem uma delas ou ignora ou tenta fixá-la, e se é isso que faz pode ser que instigue um outro a fixá-la também, o que é do interesse da idéia, que vai-se formando, e há idéias que convêm que nasçam, outras talvez não, algumas são prematuras - idéia é como gente, tem em todo lugar, de todo tipo, para todo gosto e utilidade. eu tive uma idéia, a sirva/se records, e resolvi pô-la para tocar, ao contrário, à demo.
eu s/a, nós iltda. a zyrva/serecordz é uma empresa undergrund, imoral e sem clientes, tem por norte a falência, que já vem por sul também. um sucesso já de saída, adeus.
(sacou o trocadalho? a sirva-se records conta com você.)
(sacou o trocadalho? a sirva-se records conta com você.)
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baiano e os novos caetanos
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
yeah pussy blues (de volta à rua do fogo)

Descendo a rua da aurora, atravessando a rua do comércio, à esquerda, há a trav. sta. rita, que vai dar na rua sta. rita, que vai dar na rua da praia. Duas esquinas antes está a rua do fogo, também chamada da meretriz, um trocadilho infame com sua paralela sacra, a da matriz, também uma homenagem à senhora M., a cafetina do lugar. A rua do fogo, apesar do nome conveniente às atividades que por lá se estalaram, chama-se assim devido a um incêndio há muitos anos atrás, que começou por lá e foi até a igreja de sta. rita, mas não entrou, e teve como única vítima o padre da cidade.
Naquele tempo só havia no lugar a igreja de sta rita, e a rua do fogo era uma estrada cortando um gramado onde aos poucos foi surgindo um sobrado onde aos poucos foi juntando gente, em sua maioria párias. O prefeito não gostava de párias, mas eles votavam por qualquer trocado. A população não gostava de párias, mas eles se vendiam por qualquer trocado. O padre Z. não gostava de párias, e foi deixando isso cada vez mais claro em seus sermões. A população se indignava, o prefeito se comprometia, mas isso tudo só durava até a comunhão. Então, um belo dia, depois de ler sobre gomorra e discursar sobre pompéia, o padre Z. simplesmente cansou de esperar pelo bom senso de todos e terminada a missa foi pessoalmente à rua do sobrado, no segundo andar do qual morava uma viúva e suas duas filhas, a morena e a ruiva. Pária é tudo igual, esses servem. Penso nisso nesses termos e sorrio enquanto desço a aurora...
Apesar de sua raiva e do espanto da viúva eles começaram a se entender. A viúva ofereceu-lhe água, apontou-lhe um banco, contou como chegara ali, como era difícil sua vida, de seu desejo de saber mais das coisas de deus, e de como preocupava-se com a educação das filhas, principalmente da mais jovem, a ruiva, que passava a maior parte do dia e boa parte da noite na rua, e nesse ponto começou a chorar. O padre voltou-se para a mais jovem, para a mais velha, para a viúva, passou algum tempo calado, olhando para uma vela sobre a mesa, e então, perguntou à viúva se podia falar com sua filha em particular. E logo em seguida arrependeu-se, pois a casa era só aquele quarto, e o resto da família foi saindo calada quase que imediatamente, sobrando subitamente apenas o padre e a garota.
Qual sua idade, minha filha? - Quis saber o padre. Uns dezessete - Foi a resposta da garota. Uma mentira.
O que tanto você faz na rua o dia inteiro? - Quis saber o padre.
A ruiva estava sentada em uma cadeira ao lado de uma mesa em frente a um armário, tinha cabelos longos, olhos claros e corpo de mulher. Ela olhou para frente, para além do padre, depois à sua direita, depois levantou a perna esquerda e apoiou o pé na cadeira, depois, começou balançar os joelhos, dobrou uma perna sob a outra, apoiou ambos os pés no assento, uma de suas mãos segurava uma coxa, a outra fazia cachos, seu olhar passeou pelo teto, depois por ela mesma, e, finalmente, quando tornou a encarar o padre, este estava de joelhos, perplexo, rendido. E então, algum vesúvio, e o holocausto, não se sabe como. A garota sai correndo, a mãe entra gritando, logo volta, mas não afasta-se, até ser retirada pelos vizinhos, que mal têm tempo de salvar suas própias coisas e a si mesmos, nesta ordem. Em pouco tempo a rua do sobrado virou a rua do fogo, a rua dos párias, apesar desses terem a partir daí espalhado-se como brasas pela cidade, em um incêndio latente que sempre volta ao foco para celebrar seu estopim.
Findo a aurora, atravesso a rua do comércio, dobro à esquerda na travessa, desço pela sta. rita em direção à praia, páro duas esquinas antes, cá estou novamente. Entro na casa, dirijo-me ao balcão, peço algo, olho ao redor, lá está a velha M. em um canto, observando o lugar com olhos faiscantes.
Naquele tempo só havia no lugar a igreja de sta rita, e a rua do fogo era uma estrada cortando um gramado onde aos poucos foi surgindo um sobrado onde aos poucos foi juntando gente, em sua maioria párias. O prefeito não gostava de párias, mas eles votavam por qualquer trocado. A população não gostava de párias, mas eles se vendiam por qualquer trocado. O padre Z. não gostava de párias, e foi deixando isso cada vez mais claro em seus sermões. A população se indignava, o prefeito se comprometia, mas isso tudo só durava até a comunhão. Então, um belo dia, depois de ler sobre gomorra e discursar sobre pompéia, o padre Z. simplesmente cansou de esperar pelo bom senso de todos e terminada a missa foi pessoalmente à rua do sobrado, no segundo andar do qual morava uma viúva e suas duas filhas, a morena e a ruiva. Pária é tudo igual, esses servem. Penso nisso nesses termos e sorrio enquanto desço a aurora...
Apesar de sua raiva e do espanto da viúva eles começaram a se entender. A viúva ofereceu-lhe água, apontou-lhe um banco, contou como chegara ali, como era difícil sua vida, de seu desejo de saber mais das coisas de deus, e de como preocupava-se com a educação das filhas, principalmente da mais jovem, a ruiva, que passava a maior parte do dia e boa parte da noite na rua, e nesse ponto começou a chorar. O padre voltou-se para a mais jovem, para a mais velha, para a viúva, passou algum tempo calado, olhando para uma vela sobre a mesa, e então, perguntou à viúva se podia falar com sua filha em particular. E logo em seguida arrependeu-se, pois a casa era só aquele quarto, e o resto da família foi saindo calada quase que imediatamente, sobrando subitamente apenas o padre e a garota.
Qual sua idade, minha filha? - Quis saber o padre. Uns dezessete - Foi a resposta da garota. Uma mentira.
O que tanto você faz na rua o dia inteiro? - Quis saber o padre.
A ruiva estava sentada em uma cadeira ao lado de uma mesa em frente a um armário, tinha cabelos longos, olhos claros e corpo de mulher. Ela olhou para frente, para além do padre, depois à sua direita, depois levantou a perna esquerda e apoiou o pé na cadeira, depois, começou balançar os joelhos, dobrou uma perna sob a outra, apoiou ambos os pés no assento, uma de suas mãos segurava uma coxa, a outra fazia cachos, seu olhar passeou pelo teto, depois por ela mesma, e, finalmente, quando tornou a encarar o padre, este estava de joelhos, perplexo, rendido. E então, algum vesúvio, e o holocausto, não se sabe como. A garota sai correndo, a mãe entra gritando, logo volta, mas não afasta-se, até ser retirada pelos vizinhos, que mal têm tempo de salvar suas própias coisas e a si mesmos, nesta ordem. Em pouco tempo a rua do sobrado virou a rua do fogo, a rua dos párias, apesar desses terem a partir daí espalhado-se como brasas pela cidade, em um incêndio latente que sempre volta ao foco para celebrar seu estopim.
Findo a aurora, atravesso a rua do comércio, dobro à esquerda na travessa, desço pela sta. rita em direção à praia, páro duas esquinas antes, cá estou novamente. Entro na casa, dirijo-me ao balcão, peço algo, olho ao redor, lá está a velha M. em um canto, observando o lugar com olhos faiscantes.
sábado, 19 de janeiro de 2008
baque seco

Enquanto eu caía não vi minha vida passar, só a calçada estava lá, de ruas abertas me esperando. Cheguei ao meu fim pontualmente às doze. Mesmo desmaiado estou plenamente consciente de minha triste situação. Eu poderia me erguer, acho que conseguiria se tentasse, mas acho melhor não, talvez o melhor agora fosse morrer.
Infelizmente isso não sou eu quem decido e passados alguns minutos, ou horas, desperto. Mas não me ergo, estou decidido a não fazer nada por mim, nada que me tire dessa. Gostaria mesmo de afundar na calçada, ser tragado pelos esgotos e despejado no mar com o resto da sujeira, mas também já estou ficando cansado de esperar. Toda minha vida eu esperei, eu esperei a minha vez pacientemente, eu planejei cada detalhe minunciosamente, estudei as possibilidades, consultei os astros, calculei as chances, tropeçei por fim, caí, e não desejo me levantar mais pois tudo está perdido, bem sei. Agora mesmo os guardas já deram falta, não precisam nem contar dois mais dois para entenderem a coisa toda de tão simples que ela é: um corpo, uma maleta cheia de grana e uma mulher. Tudo muito clichê. E eu que sempre evitei os filmes de caubói e as loiras, por causa de uma estou metido em um.
Ela é o diabo. Penso nela enquanto morro...
Então, consciente, me ergo. Espero um pouco. Nada acontece. Percebo que não basta morrer, não é simples assim, e decidido a voltar a cair e dessa vez de uma vez por todas, volto ao bar. Quando o circo está armado os personagens assumem seus papéis, então, haverá um corpo nessa maldita história, o meu.
No bar conto alto a alguém que há um corpo na calçada em frente, todos ouvem, todos fingem que não. Absolutamente desconcertado, peço mais uma dose, ela não vem. Alguém se aproxima, patas e chifres, tudo bem clichê. Ele caminha devagar, ele carrega uma maleta. Apesar da aparência repugnante é um rosto amigo, familiar até. Não precisamos de apresentação, naturalmente. Ele me pede uma ficha, sai, faz uma ligação, retorna, larga sobre a mesa a maleta, na jukebox uma velha canção...
And I followed her to the station
with a suitcase in my hand
And I followed her to the station
with a suitcase in my hand
Well, it's hard to tell, it's hard to tell
when all your love's in vain
All my love's in vain
Ouço as sirenes, elas vêm em minha direção.
Infelizmente isso não sou eu quem decido e passados alguns minutos, ou horas, desperto. Mas não me ergo, estou decidido a não fazer nada por mim, nada que me tire dessa. Gostaria mesmo de afundar na calçada, ser tragado pelos esgotos e despejado no mar com o resto da sujeira, mas também já estou ficando cansado de esperar. Toda minha vida eu esperei, eu esperei a minha vez pacientemente, eu planejei cada detalhe minunciosamente, estudei as possibilidades, consultei os astros, calculei as chances, tropeçei por fim, caí, e não desejo me levantar mais pois tudo está perdido, bem sei. Agora mesmo os guardas já deram falta, não precisam nem contar dois mais dois para entenderem a coisa toda de tão simples que ela é: um corpo, uma maleta cheia de grana e uma mulher. Tudo muito clichê. E eu que sempre evitei os filmes de caubói e as loiras, por causa de uma estou metido em um.
Ela é o diabo. Penso nela enquanto morro...
Então, consciente, me ergo. Espero um pouco. Nada acontece. Percebo que não basta morrer, não é simples assim, e decidido a voltar a cair e dessa vez de uma vez por todas, volto ao bar. Quando o circo está armado os personagens assumem seus papéis, então, haverá um corpo nessa maldita história, o meu.
No bar conto alto a alguém que há um corpo na calçada em frente, todos ouvem, todos fingem que não. Absolutamente desconcertado, peço mais uma dose, ela não vem. Alguém se aproxima, patas e chifres, tudo bem clichê. Ele caminha devagar, ele carrega uma maleta. Apesar da aparência repugnante é um rosto amigo, familiar até. Não precisamos de apresentação, naturalmente. Ele me pede uma ficha, sai, faz uma ligação, retorna, larga sobre a mesa a maleta, na jukebox uma velha canção...
And I followed her to the station
with a suitcase in my hand
And I followed her to the station
with a suitcase in my hand
Well, it's hard to tell, it's hard to tell
when all your love's in vain
All my love's in vain
Ouço as sirenes, elas vêm em minha direção.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Rua Reta

Cruzando esquinas e seguindo em frente pela rua reta, meio indiferentes, meio tristes, meio contentes, ruminando um pouco em um café ou outro e, renovados, deixados sobre a mesa alguns trocados magnéticos, lépidos, seguimos em frente pela rua reta, não muita coisa em mente, o sol brilhando nos ângulos lassos do concreto armado por onde escorre a brisa que passando nos leva pela paisagem cinza, calçadas incertas.
Seguindo em frente pela rua reta - caleidoscópio de faróis, canteiro de gerúndios, sinfonia de buzinas - as bocas de lobo uivam por ali onde era aquele bar e agora é esse pátio - Um dia será um prédio, você me diz e ri e me dá a mão e, Rintrahs, as britadeiras roncam longe seus lacônicos monossílabos tônicos em staccato lerdo pelo ar carregado e um som vindo do passado ressoa em mim, e em mim, morna, a rua inteira transforma-se uma canção que - love supreme a love supreme a love supreme... Entoa o eterno mantra que continuamente nos traspassa e é tudo que importa, percebo, e então, páro, desapareço. Fim.
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a love supreme,
john coltrane
domingo, 16 de dezembro de 2007
In Bob we trust.

Há essas vinte e tantas letras e eu não sei bem o que fazer com elas agora que o tempo parou. Eu já me debati tanto... Já estamos às claras, a festa acabou, ficamos até seu final, o seu, não o meu, amigo, não foi por falta de aviso, afinal, tudo já foi dito, e creio que não resta muito a fazer agora, que o tempo parou.
Há essas vinte e tantas letras e elas são o ar que respiro, mas não pagam aluguel, nem sequer desconfiam que uma estupidez dessas exista e continue existindo mesmo agora, que o tempo parou.
Firme. Rente. Amoral. Ouvindo mais do que falando, e vendo mais do que mostrando. Rumo aos milhões de segundos mágicos piscantes, ou diretinho para o inferno. Orever. Yo.
Em carne viva, curtindo a brisa, como Adão, lá parado, pelado, olhando para o alto, esperando a chave da casa vermelha cair do céu aos meus pés de barro e pensando, pensando...
E se a chave não abre a porta como na canção, e se deus não existir, e se eu for demitido, e se eu me demitir, e se eu mudar de cidade, de mulher, de carro, de sexo, de profissão. E só o que dá por ora é espreitar pelo buraco da fechadura:
"Observando o céu com sua luneta mágica o cientista percebeu uma estrela que ao menos para ele era nova e deu-lhe seu nome. Quando calculou a idade de sua descoberta ocorreu-lhe que talvez tenha sido ele a receber o nome dela, e depois concluiu que orever, tanto faz, quem espiona se mostra".
Então, quando viu pelo buraco da fechadura que do outro lado estava ele vendo que do outro lado estava ele com um olho aqui e o outro lá cuidando do de cá, pirou. Yo.
Essas vinte tantas letras, eu não sei o que fazer com elas. Estamos todos aqui agora, que o tempo parou, tudo já foi dito, estamos às claras e o mundo acabou e ainda assim elas despregam de seus batentes se encadeiam e seguem em frente, tão belas, e já me debati tanto, eu não sei o que fazer com elas.
E subtamente, toc - toc, toc - toc, do outro lado, e isso meio que desentope meus sentidos e percebo os sons da rua, os motores e os sinos e tem até um passarinho, e todos esses sons lá fora enquanto os móveis me olham mudos aqui dentro. Na rua, os postes, os muros, as buzinas me dão boa noite, um bar acena para mim do outro lado, fosforescente, lá haverá um café ou uma cerveja, um jornal, e enfiada entre mortes, estupros, corrupção e um monte de mentiras, uma boa notícia. Vamos à ela.
Robert Zimmerman tinha essa habilidade nata em fuçar o lixo social, por assim dizer. Morte no eixão, roubo no Masp, milagre do crescimento, Beatrix, 18 aninhos, sol em sagitário e lua na casa do caralho; havia um padrão ali, e Bob iria sacá-lo, de um jeito ou de outro. Então, enquanto atravessava a rua com suas botas de caubói e sua gaitinha fon-fon indo em direção às good news e a uma cerveja gelada, decididamente, viu que na contramão dele vinha, estão prontos? Ele mesmo. Nem aí Bob diz hey, Bob, à Bob, e continua em direção aos milhões de segundos mágicos piscantes, ou diretinho para o inferno, e nisso, o bar, a cerveja e as notícias. O mundo acabou. O tempo parou. Estamos às claras. As mesmas notícias de sempre passavam por ele nas entrelinhas das colunas, artigos, crônicas e ele não quer mais saber do que já sabe, ele quer saber onde tudo isso vai dar, em pizza, é o que eles dizem, mas Bob não crê em nada que escuta, aliás, ele crê, em tudo, o que dá no mesmo, não é? Para Bob tanto faz a CPMF e a invasão alienígena, mesmíssima merda. Mas, Língua de fogo mata sete cães no Gama e Músico fica recluso após acidente de moto, há algo aí, rebolando no vento...
Mais uma cerveja, mais uma ficha, mais uma música. Mais uma olhada no jornal. A conta. E aí, Bob, What´s up, What´s up, Bob? Bob fica perguntando-se enquanto atravessa a rua distraído, absorto. Ele percebe que há algo acontecendo agora mesmo, na sua frente, mas, o quê? É como olhar-se pelo buraco da fechadura, aquela toca de coelhos brancos onde está-se sempre atrasado porque o tempo parou, você vê-se fazendo o que você faria e quando dá-se conta, pronto, está feito.
Bob ainda não sabia qual é a boa e decidiu não voltar para casa ainda, não voltar para casa enquanto não descobrisse, não voltar para casa nunca mais, quando descobriu que ali não era sua casa, e afinal decidiu que não há um lar para Bob, melhor comprar uma moto, uma Harley.
Firme. Rente. Amoral. Ouvindo mais do que falando, e vendo mais do que mostrando. Rumo aos milhões de segundos mágicos piscantes, ou diretinho para o inferno. Orever. Yo.
Em carne viva, curtindo a brisa, como Adão, lá parado, pelado, olhando para o alto, esperando a chave da casa vermelha cair do céu aos meus pés de barro e pensando, pensando...
E se a chave não abre a porta como na canção, e se deus não existir, e se eu for demitido, e se eu me demitir, e se eu mudar de cidade, de mulher, de carro, de sexo, de profissão. E só o que dá por ora é espreitar pelo buraco da fechadura:
"Observando o céu com sua luneta mágica o cientista percebeu uma estrela que ao menos para ele era nova e deu-lhe seu nome. Quando calculou a idade de sua descoberta ocorreu-lhe que talvez tenha sido ele a receber o nome dela, e depois concluiu que orever, tanto faz, quem espiona se mostra".
Então, quando viu pelo buraco da fechadura que do outro lado estava ele vendo que do outro lado estava ele com um olho aqui e o outro lá cuidando do de cá, pirou. Yo.
Essas vinte tantas letras, eu não sei o que fazer com elas. Estamos todos aqui agora, que o tempo parou, tudo já foi dito, estamos às claras e o mundo acabou e ainda assim elas despregam de seus batentes se encadeiam e seguem em frente, tão belas, e já me debati tanto, eu não sei o que fazer com elas.
E subtamente, toc - toc, toc - toc, do outro lado, e isso meio que desentope meus sentidos e percebo os sons da rua, os motores e os sinos e tem até um passarinho, e todos esses sons lá fora enquanto os móveis me olham mudos aqui dentro. Na rua, os postes, os muros, as buzinas me dão boa noite, um bar acena para mim do outro lado, fosforescente, lá haverá um café ou uma cerveja, um jornal, e enfiada entre mortes, estupros, corrupção e um monte de mentiras, uma boa notícia. Vamos à ela.
Robert Zimmerman tinha essa habilidade nata em fuçar o lixo social, por assim dizer. Morte no eixão, roubo no Masp, milagre do crescimento, Beatrix, 18 aninhos, sol em sagitário e lua na casa do caralho; havia um padrão ali, e Bob iria sacá-lo, de um jeito ou de outro. Então, enquanto atravessava a rua com suas botas de caubói e sua gaitinha fon-fon indo em direção às good news e a uma cerveja gelada, decididamente, viu que na contramão dele vinha, estão prontos? Ele mesmo. Nem aí Bob diz hey, Bob, à Bob, e continua em direção aos milhões de segundos mágicos piscantes, ou diretinho para o inferno, e nisso, o bar, a cerveja e as notícias. O mundo acabou. O tempo parou. Estamos às claras. As mesmas notícias de sempre passavam por ele nas entrelinhas das colunas, artigos, crônicas e ele não quer mais saber do que já sabe, ele quer saber onde tudo isso vai dar, em pizza, é o que eles dizem, mas Bob não crê em nada que escuta, aliás, ele crê, em tudo, o que dá no mesmo, não é? Para Bob tanto faz a CPMF e a invasão alienígena, mesmíssima merda. Mas, Língua de fogo mata sete cães no Gama e Músico fica recluso após acidente de moto, há algo aí, rebolando no vento...
Mais uma cerveja, mais uma ficha, mais uma música. Mais uma olhada no jornal. A conta. E aí, Bob, What´s up, What´s up, Bob? Bob fica perguntando-se enquanto atravessa a rua distraído, absorto. Ele percebe que há algo acontecendo agora mesmo, na sua frente, mas, o quê? É como olhar-se pelo buraco da fechadura, aquela toca de coelhos brancos onde está-se sempre atrasado porque o tempo parou, você vê-se fazendo o que você faria e quando dá-se conta, pronto, está feito.
Bob ainda não sabia qual é a boa e decidiu não voltar para casa ainda, não voltar para casa enquanto não descobrisse, não voltar para casa nunca mais, quando descobriu que ali não era sua casa, e afinal decidiu que não há um lar para Bob, melhor comprar uma moto, uma Harley.
Na porta de casa, de volta do bar, achei que seria uma boa idéia uma saideira, talvez achar alguém com quem possa conversar. Fiquei ali parado um instante, observando o movimento, era véspera de natal e havia muita gente indo e vindo e todos falavam com todos e a rua estava enfeitada, piscando, toda meretriz, então, sem pensar, por impulso, bati à minha própria porta, como se quisesse me acordar lá dentro, aqui dentro, e voltei para a rua. Haverá ao menos uma boa festa em todo este maldito lugar, longe, onde não chegue o espírito de natal, e com todos os demônios eu estarei nela. Eu não tenho nada, não tenho nada a perder, então, aposto alto, aposto tudo em mim mesmo. Ouro, copas, paus e espadas, cinquenta e seis cartas, vinte e dois arcanos, vinte e tantas letras, sete notas, e para sorte ou azar, ainda estão rolando os dados, e para sorte ou azar, parece que rolarão eternamente.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
cama-de-gatos
E vão todos à merda. E eles foram. Levantaram-se um a um de minha mesa e um a um foram se acomodar na mesa dos incomodados e é isso aí, os incomodados que se mudem. Eu acomodado estava acomodado fiquei, remoendo o chiclete da raiva, nham, hum, que macio meu ódio, maleável, e com que elegância desliza por dentro de mim, esquentando meu sangue. Não eu não vou desperdiçá-lo com a fila do banco, não, nem com a política. Muita calma nessa hora.
Você, que não saiu quando teve oportunidade, antes de meus dentes trincarem, não vou desperdiçá-lo com você também.
Céus, onde há algo ou alguém digno de meu ódio?
Pago a conta, cumprimento todos os ausentes, dou boa noite, dou gorjeta, vou para casa e dou-me um tiro, dois? Dez não resolveriam.
Eu gostaria de estuprá-los todos, eu gostaria de ser polícia pra poder matar numa boa, eu gostaria de ser filho de juiz, pra poder matar e estuprar numa boa.
Na impossibilidade de odiar de verdade, amo de mentira.
Isso acaba trazendo-os de volta à minha mesa, que ironia, e isso os faz dignos do que realmente sinto, que sorte a minha. Dou graças ao diabo por essa divina providência e sigo amaldiçoando indistintamente. E venham todos à merda comigo, amigos, sejam vocês os astros desse meu vácuo, ardam nas minhas cinzas. Deixem-me ser o nada que os sustenta, o zero que os aguarda no fim das contas, o buraco no fim da estrada. A cama dos acomodados. Venham, é por aqui.
Céus, onde há algo ou alguém digno de meu ódio?
Pago a conta, cumprimento todos os ausentes, dou boa noite, dou gorjeta, vou para casa e dou-me um tiro, dois? Dez não resolveriam.
Eu gostaria de estuprá-los todos, eu gostaria de ser polícia pra poder matar numa boa, eu gostaria de ser filho de juiz, pra poder matar e estuprar numa boa.
Na impossibilidade de odiar de verdade, amo de mentira.
Isso acaba trazendo-os de volta à minha mesa, que ironia, e isso os faz dignos do que realmente sinto, que sorte a minha. Dou graças ao diabo por essa divina providência e sigo amaldiçoando indistintamente. E venham todos à merda comigo, amigos, sejam vocês os astros desse meu vácuo, ardam nas minhas cinzas. Deixem-me ser o nada que os sustenta, o zero que os aguarda no fim das contas, o buraco no fim da estrada. A cama dos acomodados. Venham, é por aqui.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
ácido fincado

ele usa terno de linho branco, ele surgiu de um buraco no chão, ele me disse que está tudo bem agora e que tudo só pode dar certo, que eu não me preocupasse com nada, que andasse pelas ruas sossegado, observando os detalhes que me apontava com seu indicador. ele falava macio ao contar as notícias de amanhã ainda hoje. o que o faz achar que preciso disso? por que ele não volta por onde veio?
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
" gostas que te lambam, baby? "

...banho-te à gato, pois. beijando teus olhos, dois, chupando teus dedos... seis? e essa cauda, mô, estava aqui antes? (muito inconsequente essa minha tara por mutantes).
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
novesfora, dez

Vamos.
O futuro não nos reserva nada que já não esteja agora mesmo nos esperando na esquina onde estamos indo, indo, indo, destino.
Vamos. E quanto maior a estrada mais alto o grito:
Rasguem-se as calçadas onde passo, guia-me esse alvo onde fito.
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"calculismo e sangue frio"

Quando o cd de Chat Baker entrou na terceira rodada consecutiva, enquanto fixava F em oito com um dos doze parafusos G, if you could see me now, dizia Baker, a chave de fenda derrapou e, não por isso nem pela dor que sentiu no indicador, mas nesse momento, ele viu. Uma imensa fenda abriu-se em sua testa e lá em baixo pelo chão daquele cânion corriam crianças. Sim, ele viu. A, três, e com ele G soltaram-se do conjunto. Vinte vinte eme dê efe, sorriu o relógio de parede, cansado de repetir todo dia três e quinze àquela mesma hora. B, D, F e H ficaram suspensos no ar, ricochetearam pelas paredes enquanto um e nove passeavam pelo teto. – You can see me now, gritou Baker, enjoy it, man, endossou o ventilador, e outros fatos ainda ocorreram, o tempo todo ocorrem, não cabe aqui cataloga-los, o que importa mesmo é que ele viu. Sim, senhoras e senhores, ele viu... Mas não percebeu. F foi fixado em oito por G como dita o parágrafo dois da página três do manual e você não pode mais me ver. E sobre um ficou a tv, sob quatro o som. On
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
meu nome é igual

cheguei lá, fui o primeiro, logo chegou mais um, dois conhaques, mais dois, e de repente já éramos dez bêbados, onze, chegaram todos, fechamos a conta e saímos de lá para mais longe, muito mais longe, onde não havia eletricidade, cadeiras, camas, mas quem se importa, as paredes estavam lá, e agora éramos sei lá quantos já, todos gritando ao mesmo tempo, durante várias horas, ininterruptamente, só meu amigo Mr. Hippie Sujo que de vez em quando parava porque entuou que aquilo dava um samba, não o culpo, quando chegar em casa certamente vou tentar escrever isso, mas isso de chegar em casa ainda vai demorar muito, agora tenho mais com o que me ocupar, respirar, por exemplo, já que essa gargalhada me tirou todo o fôlego e não consigo parar de rir, então fujo, tomo fôlego, volto, tudo de novo, eu imploro para que eles parem com aquela coreografia mas eles não me ouvem, os lunáticos, as lágrimas começam a escorrer como um rio, a barriga dói, os vizinhos estão batendo lá embaixo, só eu os ouço, mas finjo que não é comigo, aí começam os hinos, à bandeira, à pátria, ao soldado, dou um gole na cerveja quente e sinto um gosto salgado, bebi minhas lágrimas, engoli meu choro, ha ha ha, ha ha ha ha ha, então meio a contragosto comento que acho que ouvi alguém batendo lá embaixo.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
02-11

E eis também que o tempo passa e hoje é dia dos mortos. Foi dito anteriormente que o Sr. R ia de encontro à sala de espelhos. Se cada vela que arde uma alma e cada vivo uma chama que esvaece, ei-la.
Aqui, no lugar chamado Cruzeiro, aonde por costume neste dia os vivos vêm lembrar seus mortos e ajudá-los a encontrar seu caminho por meio da luz que arde em cada um desses pavios que são tantos, a terra ajuda ao céu lembrar-se de como criar a noite estrelada, afinal o que implode aqui certamente explode por lá, e com essa analogia refiro-me à vida, antes apelidada chama, que presa no pavio pífio da carne, derrete em lágrimas o círio dos anos, levando-nos de volta para a noite de onde viemos um dia. Um dia como hoje. Feliz aniversário Maria.
Aqui, no lugar chamado Cruzeiro, aonde por costume neste dia os vivos vêm lembrar seus mortos e ajudá-los a encontrar seu caminho por meio da luz que arde em cada um desses pavios que são tantos, a terra ajuda ao céu lembrar-se de como criar a noite estrelada, afinal o que implode aqui certamente explode por lá, e com essa analogia refiro-me à vida, antes apelidada chama, que presa no pavio pífio da carne, derrete em lágrimas o círio dos anos, levando-nos de volta para a noite de onde viemos um dia. Um dia como hoje. Feliz aniversário Maria.
sábado, 20 de outubro de 2007
Universal Zulu Nation

17:38h. A vida lá fora mexe-se em direção ao breu e com ela eu.
Tentando tomar chá da maneira mais correta, ciente de que tudo depedende disso, eu.
Termino meu chá e olho pela janela deus. Negro, soturno, letárgico, deus em quarto-minguante chove noite à nossa volta e ela escorre nossas costas e nós sentimos frio e medo, nós rezamos muito mesmo para o dia vir mais cedo, pois barro e água à sonho e chama, sabe um homem do que é feito: Simples como olhar no espelho, à hora póstuma.
Tentando tomar chá da maneira mais correta, ciente de que tudo depedende disso, eu.
Termino meu chá e olho pela janela deus. Negro, soturno, letárgico, deus em quarto-minguante chove noite à nossa volta e ela escorre nossas costas e nós sentimos frio e medo, nós rezamos muito mesmo para o dia vir mais cedo, pois barro e água à sonho e chama, sabe um homem do que é feito: Simples como olhar no espelho, à hora póstuma.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
"Alô? Telefone pra você"

Eu te avisei, baby, drogas e rancor nunca foi uma mistura saudável. E se um morcego de repente esbarrar em você, não se apavore, ele se liga e vaza.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
A grande mente capta

Do grande olho do centro do sol irradiam rios de luz azul sobre a minha madrugada e é manhã novamente em mim, eu abro então o pequeno olho remelento em minha testa, caminho até a janela e grito à rua que sim! Seja lá o que for, sim. Do olho da rua vazia o grande mentecapto ri seu sorriso banguela de volta pra mim: Eu acho que sou eu lá. Eu acho que é você aqui.
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syd barret,
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007
sábado, 6 de outubro de 2007
O mundo é um moinho de vento

He he, o mundo é grande e a vida curta vai virando suco em sua engrenagem, slup. - Garçom, eu pedi de laranja. - Não senhor, o senhor perguntou se tinha de laranja e pediu acerola. - E por que eu perguntaria se tem laranja se não fosse para pedi-lo? - Questão particular sua, mas foi assim que foi. - Ora não se faça de esperto. - Eu já peno muito pra me fazer de garçom. Na verdade sou um ser humano. - Pois eu garanto que seu patrão não sabe disso, e a menos que queira que saiba acho bom trocar esse suco.
me and the devil blues

No entanto, e por mais que até agora tenha tão habilmente escapado do fim, ali estão ambos novamente, embora no palco só se veja um, este que sentado sobre uma caixa amplificadora põe-se a lustrar seu trompete, levantando de vez em quando a cabeça como se esperasse alguém que, não se iluda meu caro, não vem, ela já está casada e com filhos, ela pertence à outra estória menos interessante, esta sua estrada dos loucos vai para outro lado, aquilo que houve entre vocês lá na praça foi só o xis da encruzilhada que se completa com a estrada dos sãos, por onde vai ela e já longe. E é neste xis onde está sentado o diabo, não? Não é lá o lugar onde as almas se perdem? Sim, e também o lugar onde surgiu esta canção:
-Senhoras e senhores...
(Ainda há tempo?)
(Terminarei meu cigarro antes de tragá-lo.)
-Senhoras e senhores, Crossroad Blues.
-Senhoras e senhores...
(Ainda há tempo?)
(Terminarei meu cigarro antes de tragá-lo.)
-Senhoras e senhores, Crossroad Blues.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Saudações Humanos

Nós viemos em paz. Atráves de anos-luz de observações utilizando nosso aparelho dedutivo superior, alguns chips implantados e muita malícia, estamos finalmente tête à tête, como dizem aqueles squizos da terra de Guillotine. Mycobacterium Leprae, muito prazer. Dêem-me cá suas orelhas e conto-lhes uma estória. Seguinte: O que acham que estão fazendo? Para isso há tempo e lugar, e não é aqui e agora, certamente. Vocês sabiam que em breve evoluirão à vermes? Não é ótimo? Acabamos de vir de lá, curtimos horrores. Escutem, se puderem, he he, se forem realmente espertos, por que não tentam dar uns saltinhos à pulga até vírus?
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Nº 9

Desconheço autoridade, não endosso estado ou propriedade. O solo balança sob os pés dos que caminham sem firmeza sobre a terra. Eu me sento em frente à matriz, acendo um cigarro, aprecio um pouco a hoje úmida praça João Pessoa. O mundo, apesar de desse observatório em que me encontro ser pouco perceptível, ao que parece, continua girando loucamente no nada: ainda um galo-de-briga entupido de anfetaminas e solto na rinha vazia. Acima do céu onde brilha, Marte está: A verdadeira estrela vermelha, o Soviet Supremo. Um milhão de anos-luz abaixo, com os olhos ofuscados pela luz que abriu caminho entre as nuvens e estampa os capôs, entre o polegar opositor e o indicador, em uma paina, eu moldo um ninho aonde as idéias venham se acomodar. ... Eu decido então parar de fumar, e dou um piparote no cigarro que cospe sua cinza que mergulha, quica em meu tênis, dá um mortal triplo, ou duplo, não estou bem certo, e estatela-se no chão, vencida por Newton. Sopro umas rosquinhas de fumaça pra um São João Juquinha qualquer, santo das apostas impossíveis, protetor dos galos tresloucados... E ouço as árvores dizerem saudades… Ouço os tijolos gritarem poder. E penso em você, mocinha. Penso na biblioteca universal pendendo de teus cachos. Em todas as sereias, centauros e borboletas que você carrega em seu olhar. E em todas as fadas, et´s, anjos, jardins, a porra toda, que me vem quando pouso a cabeça entre tuas pernas. Penso na vida em comum. Penso em...
Sei lá, mil coisas.
Sei lá, mil coisas.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
NEVER MIND THE BOLLOCKS...

... here´s A MÂE DE QUEM ? - the complete records
1. A Baca tem doca?
2. Assalto na esquina
3. Cigana Salomé
4. Veado Requinguela
5. Mom is underground
6. Circo dos horrores
7. Vira a língua que lá vai hóstia
8. Na cama
9. Arlete e o prensadão
10. Sweet Poney
11. Não há pôneis lá
12. Bônus Tracks
Letras aqui
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