quinta-feira, 22 de maio de 2008

O caô do caô


Lancei-lhe um contracaô, bum, bem no olho, em repúdio ela me cuspiu, ptui, na bochecha, um pouco abaixo do olho, em cima de uma cicatriz, mas aí já é uma outra história, estava chovendo mas mesmo assim eu soube distinguir o que vinha de onde.
Confesso que fiquei desnorteado, mas vou culpar a bebida até o fim, e optei pelo caminho mais fácil, entrei em casa, fui até a cozinha e na volta esfaqueei-a repetidas vezes. Eu sei que a ênclise não soa bem e por isso peço desculpas aos ouvidos mais sensíveis mas o fato é que dei-lhe doze facadas nas costas, eu não contei, contara-me depois, na cadeia.
Na cadeia, onde após o fracasso de meus advogados continuei por mais seis anos, seis longos anos, aprendi que o crime não compensa e que maconha é bom. Hoje, de saída, mal posto os pés fora percebo que está tudo diferente de quando entrei. As coisas ainda são as mesmas mas em outro cenário, é como se tudo pudesse se acabar a qualquer momento e ninguém se importasse porque afinal tanto fez como tanto faz.
Então, agora eu estou no meio da sala, embaixo da mesa de jantar te esperando, você acaba de chegar, pontual como sempre, o interruptor não funciona, tem um castiçal de prata muito chic à sua esquerda, em frente à mesa, de costas para mim, acenda-o, isso... Assim.
Duas, três, quatro...

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