terça-feira, 15 de abril de 2008

Saturno Blues


Deve haver vida inteligente em alguma parte da galáxia, mas não aqui. Na Terra rasteja-se em pé, essa peculiaridade provoca uma ilusão de poder, então eles põem seus ternos e penduram seus celulares e dão ignição em seus 2.0´s à vácuo , os únicos que dão a sensação de movimento. A Terra azul gira letárgica em torno de seu eixo, esgueirando-se em torno do Sol a uma velocidade de trezentos e sessenta e cinco giros por rodada, cada rodada dividida em quatro temporadas, e isso é tudo o que se sabe sobre os anéis de Saturno. O espaço é uma selva de astros e ninguém está a salvo de um meteoro faminto viajando a trezentos anos luz por hora, indo de zero a cem a mil. A noite infinita está lá fora, esse frio oceano sombrio onde bóiam estrelas cadentes. A noite infinita está lá fora, a luz de nosso Sol não é capaz de abraçar o mundo, o dia vai pelo seu meio, o fim está próximo.
A noite infinita está lá fora tocando a campainha, ela chegou sem avisar, o dia corre para os fundos, ele vai tentar escapar, eu aumento A TV, checo as últimas notícias... Vida em Marte, morte em toda parte. O dia consegue fugir para o outro lado do mundo, mudou de nome, usa uma barba comprida postiça e sonha em ser feliz. Eu desligo a TV e volto pra cama. A noite senta-se à minha beira, Saturno Blues me faz dormir. O sol aguarda na esquina, o mundo vaga por aí....

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